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Evocação. A.vocação.

21/06/2017

Para quem não acreditava
e fez, mesmo, pouco caso

– dizendo assim, com o silêncio,
com a cabeça, com o traço
do canto da boca
os olhos de censura,
todo o corpo fechado e avesso –

do poder da palavra,

fosse mesmo eficiente.

Eu, teu,
nêgo”,
danado,
apaixonante-apaixonado
virei somente eu:
um nome. inteiro.

Você, como ninguém,
em verdade, sabe bem
o poder constituinte da palavra

enunciada,
cantada,
palavra em forma de pa-sso
ela toda, ex.pe.ri.men.ta.da.

Teu? Bem vê.
Eu, meu nome, um inteiro
ao ser só vocativo,
destruindo nós, a tu e a mim
é você que se impõe
como meu novo passado.

[e nisso, questão faço,
grifo,
negrito,
itálico].

Pois de todas as formas,
você sabe a mais perversa:
de quem mestra, tão precoce, as palavras
a vida e a nossa festa pregressa

delas todas pouco caso faz
não cuida, mas adestra

grilhão exímio e forquilha:
de tudo compara ao mundo,
opondo-o às letras enérgicas:
é o claustro, é a fuga
é, de fato, a omissão.

É a proficiência prava máxima:
o silêncio, o silêncio.

No fim,
eu a conheço
nela danço,
não é minha a escuridão.

 

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