O rugir do tambor que quebra o tempo
Eu ontem ouvi o bater do tambor. Alfaia rugir partindo o céu ao meio. Incorporando no meu destino uma promessa que completa um ano, um ano inteiro. Transbordando em ensinamentos, a decepção se faz ausente e a ausência é a presença da marca que me diz: faça assim.
Tudo ainda está aqui: os prédios, as ruas, a chuva, o álcool e a loucura, o palhaço, o bobo que chora diante do espelho as lágrimas de uma maquiagem feita às pressas. Dessa vez nada de “Tum”. Dessa vez, não houve o ritmo, nem a disritmia. Um grande trovão de suor e sangue estilhaçando o tempo para que o futuro possa ser sem um passado. Para que o sentinte deixe de sentir, personagem impassível, inatacável. “História que começa e termina com hora marcada. Covardia não mais letra de troça. Covardia não mais espanca a alfaia. Covardia não mais carnaval. Covardia não mais com o coração brinca.”
Nada. Nem coisa alguma.

Covardia é essa chuva toda, mas ainda assim, é como um elemento mágico a mais pra toda a festa: qual carnaval não guarda em seus amores passageiros, seus clarins já quase enrouquecidos, uma noite, um amanhecer chuvoso? Todos os dias antigos acontecem na chuva…